quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Folhas.

Sou uma folha em branco sobre a qual a vida joga suas palavras, ora ordenadas, ora postas como em um pandemônio.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

D-us, para mim.

Para mim D-us é tudo.
Tudo.
Ele é tudo o que preenche a consciência humana pro bem, é cada coisa que compõe o Universo, da areia do mar ao neutrino do espaco sideral.
É o que não vemos e é o que sentimos próximo cada vez que ganhamos uma vida, um beijo, um sorriso, e quando vemos uma justiça posta em prática vitoriosamente.
É o amor de mãe e o afago inesperado de um amigo.
É a cumplicidade terna dos namorados.
É o soro da vida que mata a dor.

Tudo isso, e muito mais, é D-us para mim.
Em suma:
é a máquina divina que faz a vida ser viva.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Que bom que as paredes têm ouvidos

Faz um bom tempo que não escrevo aqui no meu blog tão companheiro antigo de madrugadas insones. Minha última postagem foi, como se vê, em abril deste ano de 2008; contudo muita coisa que poderia ter sido escrita aqui aconteceu, e por isso preciso ir com calma agora para que esse texto não deságüe numa miscelânea tão-somente sem sentido.

Minha última postagem foi sobre amizade no tocante à minha percepção da delícia que é amar e ser amado quando menos se espera e quando nunca se cobra esse tipo de atitude.

Nesses 5 meses de ausência amadureci muito esse meu novo conceito de amizade, mas cometi ainda algumas falhas típicas de meu amadorismo no assunto. Tem sido para mim um exercício tão engraçado, tão tragicômico, pois eu mesmo me vejo em meus erros e dou risada depois de ter sofrido a pontinha de dor que o deslize trouxe. A insegurança é a maior culpada. Inseguro, acabo prendendo, voando em cima, e inevitavelmente cobrando...

Contudo, tenho feito isso cada vez menos. Ao perceber o erro no ato, diminuo a freqüência, e respiro mais levemente, e dou ar para quem comigo está.

Acho que estou, como se diz em castelhano, começando a "me cagar vivo" ou, em bom português brasileiro, a "cagar e andar". Deixar que tudo flua naturalmente é algo tão simples e que já é bem sabido de todos, mas a droga é que não levamos isso a sério e brigamos contra o óbvio. LIBERTAS QUAE SERA TAMEN.

Outra coisa que tenho notado nas pessoas é a existência/ausência de respeito para com o turno das pessoas nas conversas. Estive relendo recentemente São Bernardo, de Graciliano Ramos, e numa parte do enredo a personagem principal diz que estava conversando com outra pessoa, mas cada um só ouvia aquilo que cada um estava dizendo, e não o que o outro dizia.
Outro dia eu estava conversando com um amigo, e, e senti isso na pele: ouvia tudo o que ele dizia, comentava tudo, interessado na história, e quando eu falava algo de mim, ele mudava o assunto, como se eu nada houvesse dito, como se não houvesse importância naquilo que eu havia contado (e olha que tinha a ver com o que ele dissera anteriormente). Senti-me mal,uma folha de papel em branco na qual ele jogava tudo o que queria. Senti-me obsoleto naquela conversa.

Infelizmente isso ocorre muito, com uma freqüência maior que supomos. E na maioria das vezes nem é por maldade, mas por uma necessidade inconsciente de inflar o ego, de ser exclusivo até num diálogo, no qual dois seres deveriam interagir.

Certamente até eu já fizera isso em algum momento de minha vida, mas é que tenho valorizado tanto o diálogo simplesmente por sentir falta dele que estar diante desse egocentrismo na conversa me entristeceu.

O turno também não é respeitado. Antes mesmo de se terminar de falar, o outro já vem cortando a fala do interlocutor. Isso aconteceu muito comigo, e ultimamente esse tipo de ação tem me deixado nos cascos.

Quando mais as pessoas precisam de comunicação é que elas anulam sua capacidade de trocar conversas. Internet, celular, para quê? vamos conversar então com as paredes. Elas têm ouvidos, pelo menos...

domingo, 13 de abril de 2008

Para Lara, uma doação sem coerção.

Ontem estive em companhia de uma grande e nova amiga que venho cultivado da forma mais inesperada. Conheci-a há cerca de três anos, às vésperas do ano-novo em uma festa bem alegre regada a bebidas bem brasileiras e permeada de sons puramente capazes de sacolejar qualquer esqueleto disposto.

Ficamos um bom tempo sem contato íntimo, sei lá se por falta de tempo ou por mero esquecimento mútuo; só sei que, de umas semanas para cá, temo-nos visto, nos falado e nos amado de uma maneira deliciosamente próxima. Nem sei exatamente em que ocasião essa nova fase de nossa amizade se deu, mas o fato é que se deu e está-se dando. E oxalá continuará a dar-se.

Como dizia, estamo-nos dando como amigos de longa data que não têm vergonha de nada um diante do outro. Falamos o que nos vem à caixola, tecemos poemas eróticos para nossos cachecóis que bem poderiam se destecer em fios suscetíveis à união colorida em uma única echarpe de lã, como almas gêmeas fiadas num mesmo fio de vida, como talvez aconteceria com as próprias almas minha e de minha amiga.

Conversando com ela, ouvi de sua boca algo que mexeu comigo, algo que serviu de divisor de águas para minhas crenças já empoeiradas. Ao dizer-lhe "estou muito feliz por estarmo-nos dando tão bem", ela replicou "sim, é maravilhosa essa nossa amizade, com cumplicidade e sem cobranças". SEM COBRANÇAS... Sem dúvida esse foi o divisor de águas a que me referi agora há pouco. Por tanto tempo eu agi exatamente num molde fraternal que exigia altas taxas de impostos das pessoas que entravam na minha vida. Talvez por carência, por medo, por insegurança, eu dava amor e carinho e atenção a meus amigos, e depois fitava-os na esperança ingênua e masoquista de receber o mesmo tipo de tratamento. Em tudo o que dizia e fazia eu colocava toda a sinceridade de meu ser. Mas haviam o desejo da reciprocidade imediata e a cobrança de minha parte que existia, se não explícita, velada, corrosiva, imoral.

Mas que águas foram divididas em mim? Simplesmente percebi, com a frase de minha amiga dulcíssima, que eu estou gozando de sua amizade sem ter cobrado nada, nada, nada... nem implícita nem explicitamente. Pela primeira vez deparo-me verdadeiramente com a capacidade de me doar voluntariamente sem esperar, sem aguardar, sem ansiar pelo que quer que seja. Totalmente descascado de expectativas. E por isso pude receber o carinho de minha amiga, plena e satisfatoriamente, pois nada havia sido exigido dentro de mim. Dei amor e recebi amor quando eu menos esperei. Destilei sobre a pele de minha amiga beijos e toques, e em contrapartida foram-me dados beijos e abraços que por pouco não me arrancaram lágrimas dos olhos. Senti-me querido. Não que eu tenha sido querido por alguém pela primeira vez agora, porém somente neste momento pude receber algo de alma limpa e leve, como se essa estivesse sendo realmente a vez inaugural.

Tenho notado que essa mudança ocorrera não só no âmbito da amizade, mas no das relações íntimas também, pois tenho oferecido incondicionalmente poemas, letras de música românticas, frases-feitas e carinhos a quem possa vir a se candidatar a compartilhar seu coração com o meu, unindo artérias como os cachecóis uniriam seus fios. Essa minha nova capacidade me surpreende, pois levei anos para constatar como ela é fácil de ser posta em prática, não obstante tenha sido difícil de ser desenvolvida.

Sim, agradecerei a minha amiga por despertar em mim a doação sem coerção. Darei-lhe beijos, abraços e palavras de irmão, e em troca receberei a licença, a honra de poder chamá-la de amiga.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Texto da Intranqüilidade

Estava relendo, na biblioteca de minha faculdade, "O Livro do Desassossego", do heterônimo mais questionador do Fernando Pessoa: Bernardo Soares. Após a releitura, olhei para meu caderninho de capa verde e para minha caneta, e joguei sobre o papel - na verdade atirei com força - todas as palavras que chegavam à minha mente no momento. Eis o que resultou:


MINHA grande destruição se resume ao fato de nada saber de mim. Uma eterna busca que culmina em explosões emocionais e arroubos sentimentais preenche meu quotidiano com uma intensidade que assombra até as montanhas cobertas de gelo eterno. O desejo de que o ocorrido não deixe de acontecer, que o amor não pereça e que as juras e promessas de que tudo será perene e próximo do perfeito é um ingrediente extra que serve tão somente para intensificar o que intenso já é.

O amor nunca é derramado de forma diferente da que a cachoeira faz consigo mesma sobre o leito do rio que lá embaixo continua seu curso. Em mim as lágrimas descem em cataratas quando busco os caminhos mais difíceis, e acabo parecendo muita vez um carrasco sádico de mim mesmo ao simular uma constante opressão sentimental na qual sinto-me sedento e ávido de carícias e beijos, grávido de desejos que teimam em não serem dados à luz.

Não há um dia em que meu coração não pule e se agite tal como um cachorro que se alegra cegamente ao avistar o dono. Mas geralmente não abano a cauda para o dono certo, posto que minha Fortuna demonstra ter sido feita para os desencontros. jamais me coloquei diante de um espelho para ver com a devida atenção o que há em meus olhos que se mostram, boa parte do tempo, tristes e fartos do masoquismo que lhes é, injustamente, imposto.

Meus pensamentos ecoam por vastos campos de pedras e montes pontiagudos, e qualquer vida que neste acre terreno se desenvolva, devoro com a fome dos que, por séculos, a sentem. Sou, certamente,um canibal de mim mesmo, pois sugo o que em mim há com fantástica rapidez e, assim, alimento o que quer que esteja sobreposto no liame existente entre coração, mente e alma.

A inquietude é ampla em meu peito. Muita vez pergunto se tal sadismo é consciente. Ora, quem viveria intencionalmente nesse estado de sítio? Um louco? Sou eu um louco? O "eu" canibal e o "eu" cordeiro fugitivo encontram-se pavorosamente e olham-se em visões fixas. Um não ousa avançar, e o outro não se atreve a escapar, pois estão completamente envolvidos pelo perigo iminente e pela curiosidade de saber qual a textura da carne macia e quão afiados os dentes podem estar no ato da mordida que está prestes a ser desferida, friamente, incontinenti e sem aviso prévio.

Vivo, pelo que tudo indica, num desconhecimento de mim mesmo, na cegueira para com o mundo que grita a verdade para mim. Nutro-me de angústias geradas por carências e amores não destilados e não canalizados para quem, de fato, possa-os civilizar, lapidar. O verdadeiro espelho que mostrará o que sou encontra-se no outro que captar as sinceridades de meus atos. Ofereço buquê de flores e sonetos e toda a verdade do carinho que em mim se acumula, doce e, diferentemente de tudo o que antes foi mencionado, tranqüilamente.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Dicas de pontuação que estou aprendendo a aplicar na redação de minha vida.

"Use vírgulas para separar as experiências boas das más. Reticências para quem lhe faltou em alguma situação. Salpique exclamações na sua vida. Abuse das interjeições de felicidade. Faça uma revisão nos seus sonhos. Tome decisões com letra maiúscula. E ponha ponto final na tristeza!"

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Não espere...

Não espere... um sorriso para ser gentil;
ser amado para amar;
ficar sozinho para reconhecer o valor de quem está ao seu lado;
ficar de luto para reconhecer quem hoje é importante em sua vida;
o melhor emprego para começar a trabalhar;
a queda para lembrar-se do conselho;
a enfermidade para perceber o quanto é frágil a vida;
pessoas perfeitas para então se apaixonar;
a mágoa para pedir perdão;
a separação para buscar reconciliação;
a dor para acreditar em oração;
elogios para acreditar em si mesmo;
que o outro tome a iniciativa se você foi o culpado;
o eu te amo, para dizer eu também;
o dia da sua morte para começar a amar a vida.